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O que as aulas de Steve Jobs nos ensinam sobre tipografia?

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rafaelcastro | 07/out/2017


Bem, se você está lendo esse texto, podemos ter duas certezas, a primeira é da sua interação com as fontes e tipos, e seu interesse por melhorar a percepção das informações e conteúdos ao seu redor. E a segunda, é que o curso de caligrafia de Steve Jobs, mudou a maneira e a importância de como as letras e fontes são vistas e percebidas até hoje.

Vejamos como isso aconteceu:

“Se nunca tivesse entrado naquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido aquelas fontes tipográficas ou as letras proporcionalmente espaçadas (…) e os computadores pessoais poderiam não ter a tipografia bela que têm”, resumiu Jobs. E, então, desde o primeiro Macintosh lançado, é possível perceber a importância desse item e, mais ainda, no decorrer do texto, porque isso acontece e como aplicar ao desenvolvimento digital.

POR QUE ESSA DIFERENCIAÇÃO ACONTECE?

As fontes podem ser de vários tipos conforme a imagem acima, com serifa, sem serifa, mais orgânicas, cursivas, enfim. Mas, por que essa divisão é importante para se projetar sites, aplicativos, portais, sistemas ou até uma simples placa de “Não Entre Sem Autorização”? A resposta para isso está mais em saber quem vai ler e quem vai, realmente, precisar daquela informação, e os níveis em que isso interfere com a interação. Até porque exitem outros fatores técnicos que também influenciam na importância e na maneira como as informações são percebidas, como pregnância, contraste, tamanho e legibilidade. Mas, esses são pontos a serem discutidos em outro momento. Hoje vamos focar na aplicação e nos meios aplicados e consultados.

TIPOS E TIPOS

Vamos partir de gráficos que são elementos iniciais na vida de qualquer designer. Quem nunca precisou fazer aquele panfleto rápido, uma fachada ou inda diagramar algum livro ou revista? Quando começamos projetos como esses, as fontes escolhidas são de fundamental importância. Se pararmos para analisar friamente e individualmente cada um deles, vamos entender melhor porque certas letras aplicam-se melhor em determinados produtos e quais não são recomendadas. Vamos começar pelo panfleto. Na sua maioria, dentro de uma programação visual adequada, os panfletos têm bastante espaços vazios e uma hierarquia tipográfica percebida nos tamanhos e o peso, podendo ter a mesma família com variações de Light a Bold. Nesses casos é muito mais recomendável fontes sem serifa e com estilo mais dinâmico, porque esse tipo de material é de consumo rápido e, em sua maioria, descartável. Por isso, precisa ter pouco texto, bem pensado e fontes que facilitem a leitura, em tamanho e espaçamento.

A mesma lógica aplica-se também a fachadas, filipetas e outros produtos de consumo rápido da informação. Porém, quando falamos em publicação de grande tiragem, como revistas e livros, temos que levar em consideração o público, sua idade, seu nível de escolaridade e a própria densidade informacional do produto em questão. Para publicações mais curtas e com maior espaço, o responsável pela concepção gráfica do material tem mais liberdade para usar sua criatividade e, às vezes, fazer até um cross entre famílias tipográficas e tipos com e sem serifa. Já em uma publicação mais extensa, ou com informações mais relevantes, como livros escolares, técnicos ou mesmo em manuais de instrução, pode-se perceber que uso de fontes mais tradicionais, e com serifa, é predominante. Isso se dá devido a legibilidade, como antes mencionado, pois as serifas são responsáveis por guiar o olhar do leitor e fazer com que ele tenha uma leitura melhor, mais confortável e satisfatória. Geralmente, pessoas idosas, ou com dificuldades visuais, preferem textos mais longos com esse tipo de fonte.

APLICAÇÕES DIGITAIS

Então, se nas aplicações acima temos uma série de recomendações e formas de verificar o melhor entendimento das informações por meio das fontes aplicadas nos meios digitais, podemos dizer, com certeza, que existe muito mais liberdade para uso e aplicações e, também, para improvisações no que toca a tipografia. Claro que é necessário pensar na aplicação da fonte e como a mesma vai ser recebida e, ainda, como isso vai refletir no acesso às informações. Porém, é necessário dizer que os dispositivos digitais ajudam bastante, caso você tenha intenção de uma apresentação um pouco mais diferente ou com fontes mais artísticas, como aumento de fontes, zoom e modo de acessibilidade. Isso possibilita mostrar conteúdos inovadores para pessoas com dificuldade ou alguma restrição. Mesmo assim, é claro, que tem as recomendações básicas e as fontes campeãs em uso para desenvolvimento nessa área.

A FONTE DO GOOGLE

Quando falamos em aplicação de tipografia para desenvolvimento, a que aparece sempre em primeiro lugar é a ROBOTO, isso não se dá por acaso, ele é fonte do ANDROID e a primeira indicação de fonte para desenvolvimento na plataforma. Se falarmos de WEB, ela figura com o mesmo prestígio, por causa do CHROME, e claro que com todas essas recomendações, você já entendeu que ela é muito recomendada pelo GOOGLE, em todas as suas plataformas. Mas isso não é apenas uma forçação de barra, tecnicamente ele atende, sim, a todos os requisitos de aplicação para meios digitais: é sem serifa, possui todas as acentuações, tem uma biblioteca robusta e com as variações diversificadas a serem aplicadas. Isso tudo faz com essa fonte esteja sempre entre as mais utilizadas e sempre com boas experiências de uso seja em sua aplicação, no desenvolvimento ou mesmo com usuário acessando a informação.

A QUERIDINHA DOS DESIGNERS

Essa fontezinha que foi criada em 1957, para ser uma alternativa mais cara e simples, para diagramação e produção gráfica. Atingiu seu objetivo e foi além, tornando-se um marco do design moderno e fazendo com que cada pessoa que tenha trabalhado como designer, developer, criativo, redator ou até mesmo “micreiro”, em algum momento, tenha tido contato com essa fonte. E não é atoa que ela é tão querida pelos designers e diagramadores em geral, porque ela é quase perfeita, atendendo a todos os requisitos, para qualquer aplicação e tendo sempre uma versão adequada para cada uma também. Além disso, ela possui todas as acentuações, e para quem trabalha com o desenvolvimento de materiais, sabe o tamanho do diferencial que isso é.

MY PRECIOUS!

Ubuntu é o nome de um sistema operacional construído a partir do núcleo Linux. É um sistema de código aberto, baseado nas normas do software livre e que, como mostramos no início, sofreu influência das aulas de caligrafia de Jobs na faculdade, podendo ser percebido na necessidade da criação de uma tipografia própria, que representa-se o novo, que, assim como a Helvética, fosse clara e de simples entendimento, mas, ao mesmo tempo, fosse ligada ao desenvolvimento. Minhas impressões são de que o usuário que tem seu primeiro contato com ela reage como se a mesma fosse familiar a ele. Porém, em uma segunda olhada de um leitor mais observador, sempre podem ser ouvidas as seguintes observações:”essa fonte que você usou é diferente”, ou então “eu já vi essa letra”, ou ainda “gostei dessa fonte, ela é diferente, mas fica bom do jeito que você aplicou”.

AGORA É COM VOCÊ!

Use sua criatividade! Busque informações sobre a aplicação: Quem é o público alvo? Como o mesmo usurá o seu material e irá interagir com o mesmo? Veja, como sempre, quais são as fontes mais indicadas e recomendadas e faça sempre o melhor. Até a próxima semana! 😉